segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CANAVIAL

Parece até gincana
De apanhar cana
Todos ali na mesma façanha
Homem, mulher, criança, apanha
Sol forte e o rosto inflama
No desafio por um fio
E nem se reclama
Expurgando o pecado
Da atitude mundana
Vendendo fiado
A vida engana

Carmem Sanches

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

       INFÂNCIA – JARDIM

Que saudades de mim
Minha infância meu jardim
Perfume jasmim
Flor em botão
Sementes no chão...

Odores sutis
Erva-doce, anis
Rubro romã
Sabor hortelã!

Mel, melão,
Melancia...
Acabou-se o
Dia.

Carmem Sanches

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


                   CRÔNICA
               DEPOIS DA CHUVA

As folhas do jardim ainda estavam molhadas da chuva que havia caído durante toda noite.
O sol aparecia, mesclados com instantes de céu nublado, e ainda ouvia-se o barulho dos grilos, aqueles que haviam esquecido que já era dia.
E o vento dançava.
Do movimento das copas das árvores, vinham sons leves e suaves de folhas frescas. E também o tilintar de uma goteira, vinda de um galho, talvez de um ninho abandonado.
E a sinfonia se fazia:
Doce
Bela
Harmônica
Singular
Sintonia da natureza.

Carmem Sanches

Retiro frases
de tudo um pouco
pra aliviar meu sufoco
meu pesar não me bloqueia
o gosto amargo não me abala
minh’alma se solta e fala
às vezes parece seca
se divertindo da
minha faceta
melhoro sempre,
quando me solto
livrando versos
voando eu volto
uso uma pluma
como caneta
a frase vem e
se arrebenta,
rabisco tudo
viajo e volto
melhora agora
quando me solto.

Carmem Sanches

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

   BARCO

NO BARCO DAS MINHAS
CANÇÕES
SUBINDO O MAR
SEM VERTIGENS
EMBARCO COM MEUS
CARRILHÕES,
POEMAS
MEXILHÕES
NAVEGAM, NAUFRAGAM,
RENASCEM.....
TREJEITOS DAS EMBARCAÇÕES
NO CAIS DAS MINHAS CANÇÕES
ILUDO A TODOS E A TUDO
SEGUINDO ÀQUELES
QUE VÃO....
Carmem Sanches

domingo, 9 de janeiro de 2011

CHURUMELAS
LUVAS
UMBRELAS
LEMBRAM
MOCINHAS
SINHAZINHAS
NAS PRACINHAS
VESTIDAS DE
AZUL
ROSA
LILÁS
DE CETIM
VIVAZ!

Carmem Sanches

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

         DESEJO
Desejo saiu descalço
Subiu num galho falso
Escreveu por entre as folhas
Poemas de amor-perfeito
E foi assim desse jeito
Que a vida me fez
Metade semente
Metade fogo ardente

Desejo despiu-se
Pulou no lago profundo
Mergulhou entre bolhas d’água
Sorveu todo o medo
E foi assim desse jeito
Que esqueci meu ego
E deixei levar-me
Pela correnteza....

Carmem Sanches


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CORAÇÃO PUNGENTE

Cabelos ao vento
Na janela do trem
Pupilas contentes
Gente sorridente

Na pele, arrepios
De quem segue
Somente
Coração pungente
Sonhos de semente

O trem rasga o tempo
O sol arde a mente
Sonoros frementes
Amores por gente

Na medida em que o trem
Vai chegando além
Sentimentos vêm
Onde estará meu bem?

Carmem Sanches

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

1º poema ENVEREDAR

ENVEREDAR
SEM TEMPO PRA PENSAR
NEM LEMBRAR DE VOLTAR

ENVEREDAR
SEM MALAS DE CARREGAR
NEM TRALHA PRA RECORDAR

ENVEREDAR
EM ÁGUAS DE MAR,
SAUDAR

ENVEREDAR
NAS TRILHAS, CACHOEIRAS
PISAR

ENVEREDAR
SEM MUROS,
MINHA ALMA
 ACHAR

ENVEREDAR
SENTIDOS
DE BEM
AMAR

CARMEM SANCHES